O ecossistema de pagamentos da América Latina está evoluindo em ritmo acelerado. Neste resumo, trazemos as principais novidades que marcaram o início de 2026: desde avanços regulatórios e tecnológicos até as tendências que estão moldando o futuro dos pagamentos digitais. Confira tudo a seguir.
O Banco Central do Brasil lança o BC Protege+ e reforça a segurança na abertura de contas
A ferramenta BC Protege+, do Banco Central do Brasil, lançada em 1º de dezembro de 2025, já foi ativada por 545 mil pessoas para reforçar a prevenção a fraudes. Somente no primeiro mês, bloqueou automaticamente 111 mil solicitações de abertura de contas ou inclusão de titulares sem autorização, após consultas obrigatórias das instituições financeiras ao sistema.
Quando o BC Protege+ está ativo, a instituição financeira não pode concluir a operação, o que reduz o risco de uso indevido de dados pessoais e fortalece a segurança já na etapa de cadastro. A solução utiliza inteligência artificial para cruzar dados em tempo real e detectar fraudes desde o momento do cadastro. A iniciativa faz parte do esforço do regulador para ampliar a segurança do sistema financeiro.
42% dos consumidores confiariam em seu banco para usar IA em compras
Segundo uma pesquisa da PYMNTS, 42% dos consumidores digitais estão cada vez mais dispostos a permitir que a inteligência artificial os ajude durante o processo de compra online, desde a comparação de produtos até o planejamento de compras rotineiras, como alimentos ou presentes. Embora muitos usuários estejam abertos ao uso de agentic payments para tarefas recorrentes, a maioria ainda não confia plenamente que esses agentes realizem compras de forma totalmente autônoma, sem intervenção humana.
A superação desse desafio depende, em grande parte, da confiança nas instituições responsáveis pelos pagamentos. O estudo aponta que os consumidores se sentem mais seguros quando assistentes de IA são respaldados por sistemas de pagamento tradicionais, como bancos, redes de cartões ou carteiras digitais, e apenas 20% afirmam confiar em agentes de IA oferecidos diretamente por e-commerces ou varejistas.
Pagamentos instantâneos: mais seguros e cada vez mais relevantes no combate à fraude
De acordo com dados citados pela PYMNTS, empresas e instituições financeiras nos Estados Unidos continuam preocupadas com riscos de fraude nos pagamentos, embora essa percepção nem sempre reflita a realidade. Métodos tradicionais, especialmente cheques, continuam sendo uma fonte relevante de risco: são 16 vezes mais suscetíveis a perdas, roubos ou adulterações do que transferências eletrônicas, e mais da metade das empresas que sofreram fraude no último ano ainda utilizam cheques. Isso ocorre mesmo que muitos considerem esses métodos físicos mais seguros do que alternativas digitais.
Por outro lado, redes de pagamentos instantâneos apresentam melhor desempenho em segurança, com instituições relatando pouco ou nenhum impacto operacional por fraudes, graças à:
- monitoramento contínuo
- visibilidade detalhada por transação
- detecção mais ágil de irregularidades
À medida que cresce a adoção desses sistemas, também aumenta a percepção de segurança dos pagamentos em tempo real: 37% das empresas já apontam melhorias em segurança como um principal benefício, frente a 25% no ano anterior. No entanto, a confiança nesses métodos depende da incorporação de ferramentas robustas de prevenção e gestão de fraude à medida que o volume de pagamentos instantâneos cresce.
Interoperabilidade e regulação: o novo desafio para as fintechs de pagamentos no Peru
As transações interoperáveis no Peru cresceram 58% em relação ao ano anterior, superando 132 milhões por mês e consolidando esse avanço anual. Hoje, são essenciais para impulsionar os pagamentos digitais e impõem novos desafios às fintechs: escalar sua infraestrutura, integrar-se a bancos e sistemas públicos e operar sob um ambiente regulatório ainda em desenvolvimento.
A interoperabilidade deixou de ser apenas um conceito técnico para se tornar um motor de transformação do sistema de pagamentos, permitindo transações imediatas entre diferentes carteiras e instituições financeiras, reduzindo a fragmentação histórica do mercado. Além disso, a expectativa dos usuários por serviços disponíveis 24/7 e com custos reduzidos exige eficiência operacional elevada. A competição entre bancos e fintechs passa a ser definida pela qualidade da experiência digital, enquanto a segurança precisa estar incorporada desde o desenho da arquitetura tecnológica.
Colômbia propõe que empresas postais operem como fintechs
Um novo projeto de lei na Colômbia propõe permitir que empresas de serviços postais atuem como fintechs. A medida pretende ampliar o acesso a serviços financeiros em regiões rurais e com baixa bancarização, viabilizando pagamentos, depósitos e transferências por meio de operadores não tradicionais. A proposta prevê a formalização dessas atividades dentro do marco regulatório vigente, o que exigirá ajustes na forma como esses serviços são autorizados e supervisionados no setor postal.
O Ministério das Tecnologias da Informação e das Comunicações (MinTIC) da Colômbia está promovendo a assinatura desse projeto, que estabelecerá condições para que operadores de serviços postais ofereçam novos serviços de pagamento. A iniciativa propõe adicionar um capítulo ao Decreto 1078 de 2015 para regular serviços de giro de pagamento, giro de depósito e transferências postais no país, estabelecendo critérios de habilitação para essas atividades.
Transações cripto ilícitas atingem novo recorde e exigem respostas tecnológicas
A Chainalysis publicou o relatório “The Chainalysis 2026 Crypto Crime Report”, indicando que transações cripto ilícitas movimentaram mais de USD 154 bilhões, um aumento de 162% em relação ao ano anterior. Bitcoin, Ethereum, altcoins e stablecoins foram, nessa ordem, os ativos mais utilizados nessas transações fraudulentas.
Diante desse cenário, governos e empresas de tecnologia aceleram o desenvolvimento de ferramentas de rastreamento avançado, compliance automatizado e prevenção em tempo real.
