A indústria de pagamentos na América Latina acelera em duas frentes: mais adoção e mais sofisticação. Neste resumo, reunimos as principais notícias que te ajudam a entender para onde o ecossistema está caminhando, quais tendências começam a se consolidar e quais sinais observar para tomar melhores decisões ao longo de 2026.
De regulação e interoperabilidade até IA e frameworks antifraude, estas são as novidades que vale a pena manter no radar para começar março bem informado.
Vales ampliam a interoperabilidade dos cartões
O governo federal implementou novas regras para o vale-alimentação e o vale-refeição no Brasil, que passam a valer em 2026, modernizando o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). As mudanças incluem limites máximos para as taxas cobradas pelas operadoras (teto de 3,6% no MDR e 2% na tarifa de intercâmbio), além da redução do prazo de repasse dos valores aos estabelecimentos para até 15 dias corridos, o que deve melhorar o fluxo de caixa de restaurantes, padarias e mercados.
Outro ponto importante é a ampliação da aceitação dos cartões, que poderão ser utilizados de forma interoperável em diferentes maquininhas e estabelecimentos ao longo de 2026, aumentando a concorrência e a liberdade de escolha para os usuários. As medidas também buscam aumentar a transparência, reduzir custos operacionais e incentivar a adesão de pequenos comércios ao sistema, sem alterar o valor do benefício para os trabalhadores.
Brasil: um framework mais robusto para enfrentar fraudes financeiras
A EY Brasil propõe uma abordagem integral para que instituições financeiras enfrentem a fraude de forma estratégica, combinando governança, tecnologia e conscientização dos clientes. A ideia central é evoluir de respostas reativas para um modelo consistente de prevenção e gestão de riscos.
Entre os principais pilares estão:
- Governança e supervisão
- Educação e conscientização dos clientes
- Avaliação e gestão de riscos
O artigo também reforça a necessidade de supervisão contínua e de marcos claros para identificar lacunas, priorizar controles e sustentar melhorias ao longo do tempo. Em um cenário onde a fraude evolui rapidamente, o framework busca trazer método e escalabilidade.
Por que os bancos devem levar a sério os portais para developers
Uma análise do PaymentsJournal aponta que os bancos chegaram a um ponto em que a experiência do desenvolvedor deixa de ser um nice to have. Adotar o modelo fintech de oferecer um portal para desenvolvedores passa a ser essencial para acelerar a inovação.
No contexto de open banking, o portal torna-se peça-chave para escalar parcerias e habilitar novos produtos com menos fricção. O diferencial não é apenas “ter APIs”, mas torná-las consumíveis e fáceis de integrar para competir em um ambiente API-First.
Colômbia elimina retenção de 1,5% e busca fortalecer o ecossistema de pagamentos
A eliminação da retenção de 1,5% sobre pagamentos com cartão na Colômbia marca uma mudança relevante para o ecossistema financeiro e comercial. A medida visa reduzir custos para comércios e emissores, melhorar a liquidez e estimular maior adoção de meios de pagamento digitais no país.
Diego Quesada, nosso Country Manager para Países Andinos, América Central e Caribe, comentou sobre a notícia em matéria do jornal La República e afirmou: “a eliminação dessa retenção não é apenas uma correção tributária, é um sinal claro de um sistema de pagamentos mais equitativo e competitivo, onde a inovação pode florescer sem cargas desnecessárias”. Saiba mais.
América Latina segue consolidando sua expansão nos pagamentos digitais
O ecossistema fintech na América Latina continua evoluindo: a transformação digital já não é uma tendência emergente, mas uma realidade consolidada. A região aprofunda a adoção de pagamentos digitais, carteiras eletrônicas e soluções financeiras integradas ao dia a dia de pessoas e empresas.
A PYMNTS realizou um panorama deste cenário e destacou:
- Brasil e México se consolidam como motores sólidos de adoção fintech.
- O investimento de capital concentra-se em soluções que integram pagamentos e crédito.
- Pagamentos A2A e carteiras digitais continuam ganhando espaço e substituindo o dinheiro em espécie.
- O resultado é um ecossistema cada vez mais integrado à vida cotidiana de consumidores e pequenas empresas, com mais hábitos digitais e menos fricção para pagar e receber. O recado é claro: pagamentos digitais já não são “o novo”, são infraestrutura.
IA, super apps e pagamentos instantâneos definem o rumo regional
Um relatório analisado pela Iupana coloca foco no próximo salto que a América Latina dará, representando um ponto de inflexão tecnológico que transformará a experiência financeira neste ano:
- Hiperpersonalização
- IA generativa aplicada a serviços financeiros
- Consolidação de modelos BaaS
- Expansão de pagamentos internacionais em tempo real, com impacto direto na experiência e na eficiência operacional
A leitura estratégica é que a diferenciação deixa de estar apenas no “canal digital” e passa para a inteligência sobre o produto: quem entende melhor o usuário, quem integra mais rápido e quem opera com maior controle.
México: pagamentos B2B em expansão e mais digitalização empresarial
Um relatório da IMARC sobre o mercado de pagamentos B2B no México destaca seu crescimento sustentado, impulsionado pela digitalização de processos, adoção de pagamentos eletrônicos nas empresas e modernização de processos financeiros. O estudo organiza a análise por tipo de pagamento (doméstico e transfronteiriço) e por modalidade (tradicional e digital).
Além disso, aponta que automação, fintechs e integração com ERPs estão transformando a gestão de contas a pagar e a receber. O relatório considera o período de análise 2020-2025 e uma projeção 2026-2034, oferecendo uma visão clara da mudança de hábitos nos pagamentos corporativos e da modernização das operações financeiras no país.
